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Apenas Para Meus Olhos (Stand By)



Uma história de amor perdido

Olhando uma parede escura,de um quarto vagabundo,de um hotel também vagabundo,ele rememorava os últimos meses de sua vida.Tudo ia quadro a quadro passando bem a frente de seus olhos numa velocidade cinematográfica. Lembrava de tudo com tanta vivacidade apenas por causa de um romance russo que acabara de ler.Sua historia era parecida com a do livro em muitos aspectos,estava tão arruinado quanto a personagem principal do livro,mas seu problema não era vicio algum,não era dinheiro tampouco.
Era incrível como podia lembrar com riquezas de detalhes o dia em que a vira pela primeira vez! Fora na casa de um amigo durante uma festa,seus olhos impregnaram-se da presença dela.Os cabelos longos e escuros,e seus olhos possuíam uma expressão altiva e sagaz.Ao olhá-la apenas ,soube que de algum modo se perderia por ela,e sua funesta predição foi-se cumprindo pouco a pouco.
Ao conhecê-la tornaram-se próximos ,mas todas as suas investidas e declarações de amor eram tratadas como traquinagens de criança e ela o olhava com parcimônia,como se houvesse no seu ato algo a ser perdoado.O estranho relacionamento que estabeleceu-se entre os dois era simples se olhado de perto:Ela mandava e ele obedecia! Essa ligação era simples,polar e intensa.
Inevitável era também lembrar das noites insones ,consumidas em ciúmes,quando a sabia com outro homem.Ela mesma o dizia cada vez que se encontrava com algum homem e dizia entes de depois do encontro,e com um sádico prazer torturava-lhe a alma com detalhes sórdidos e intragáveis de suas aventuras e no final de seus relatos,vendo-o consumido de febres pelo ciúme ,dedicava-lhe um olhar cândido,que isto por estranhos tomariam por ingênuo, e dizia-lhe com a voz doce de anjo que não era:
- Eles nada são meu bem,é seu dinheiro que me compra o tempo,nada mais. Que mulher não gosta de belas jóias e bons vinhos?Só as mulheres burras desprezam tais prazeres . E não me tome por uma burra.
Era apenas essa frase fútil, machista e preconceituosa que o salvava da loucura total.Eram essas declarações que não o tornavam um privado de juízo.
Se ela não o amava,tampouco amava os outros, se ele não podia tocá-la ,apenas pagando um preço alto os outros poderiam ter o prazer de sua companhia, e ele a tinh a apenas por que ela queria... Havia esperança...
Um dia simples como outro qualquer suas antigas predições lhe vieram a mente,foi quando ela lhe disse de modo displicente que não sairia mais com esses homens ricos que não a amavam,e ao olhar seus olhos eles mostraram um brilho que ele conhecia bem.O via todos os dias ao olhar-se no espelho esse brilho desajustado da paixão.
Então sozinho no meio da sala da casa da mulher que tanto amava percebeu de forma severa e dolorida que ela estava apaixonada! Por quem seria?
Que ela dormisse com qualquer homem ,que se deixasse exibir como jóia por qualquer um mas amar...?Isso ela não podia sentir exceto por ele,que fora seu amigo,seu confidente,seu criado por meses e meses a fio...
Sua dor lancinante e seus desespero surdo o cegavam,e ao abrir a gaveta do antigo móvel escuro e grande descobriu um punhal antigo que ela ganhara de um de seus amantes. Passou a mão no fio cortante da navalha e o sangue opaco que correu não importava pra ele...
Chegou a penalizar-se com seus pedidos e suplicas ,mas cortou-lhe a garganta de orelha a orelha sem fazer muita força,seu rosto branco e imóvel com cera o olhava com os olhos baços de morte,agora era o fim... Ela não o amaria jamais porem o que ele sentiria para sempre seria apenas saudade...
Acordou dessas lembranças sem susto,olhou o romance ,que não terminava em morte ,e colocou dentro da mala já pronta.Já era hora de entregar-se a policia ,pois jamais deixaria a morte de sua amada impune.
Ela merecia tudo e ele acreditava ter-lhe dado até a eternidade.


Escrito por Ana às 00h28
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